Alagamento na Avenida Ermano Marchetti, no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo Foto: André Lucas / ESTADÃO CONTEÚDO
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O temporal que atingiu a grande São Paulo na madrugada desta segunda-feira, 10, ultrapassou o recorde do nível de água do rio Pinheiros, marcando 719.6m. Este é o maior valor já registrado desde 2005, quando o rio chegou a 718.9m, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. O órgão afirma que, apenas nesta madrugada, choveu 66% do total esperado para todo o mês de fevereiro.

“Mudança climática não é discurso de ambientalista. Está chovendo nessa década o que não choveu no século passado”, afirma Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, ao Estado. De acordo com ele, os mais de 78 pontos de alagamento registrado pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climática (CGE) aconteceram porque o volume de chuva ultrapassou o que estava previsto na série histórica de 100 anos, usada para calcular o sistema de drenagem das chuvas. “Tudo foi implantado com essa lógica.”

Penido afirma que os sistema de piscinões e drenagem da cidade estão funcionando perfeitamente, assim como o bombeamento dos rios Tietê e Pinheiros. “Senão, o estrago teria sido muito pior”, observa, afirmando que eles transbordaram porque “choveu de forma consistente nas quatros regiões da cidade, a noite inteira”.

O secretário prevê a manutenção de todo o sistema quando a chuva der trégua, o que, de acordo com o CGE, só deve ocorrer no fim da terça-feira, 11. “Um sistema de drenagem não é algo feito de um dia para o outro. Precisamos achar terreno, fazer cálculos, estudos, projetar e contratar. Isso tudo é investimento, e sabemos como as despesas obrigatórias do estado estão oprimidas”.

Segundo a meteorologista da Climatempo, Ana Clara Marques, a frente fria que se formou no sul da América do Sul e subiu para costa paulista, segue em direção ao Rio de Janeiro podendo chegar ao Espírito Santo entre terça e quarta-feira, 12.

“A chuva pode voltar forte várias vezes ao longo desta segunda-feira e também nesta terça-feira. A partir de quarta-feira diminui a intensidade mas ainda tem previsão de chuva forte para São Paulo”, disse Ana Clara.

Importantes vias da cidade estão interditadas, como as Marginais Pinheiros e Tietê, em vários trechos, Avenida Braz Leme (zona norte), Avenida Olavo Fontoura (zona norte), Avenida Santos Dummont (região central), Avenida Dr. Gastão Vidigal (zona oeste) e Avenida Dr. Chucri Zaidan (zona oeste).

Bombeiros fazem o resgate de motoristas que estão ilhados, usando botes e remos e também helicópteros. Motoristas que não conseguiram sair a tempo do caminhão subiram no teto para aguardar socorro. Veículos comuns estão submersos. Há locais em que a água subiu quase 3 metros.

O metrô opera normalmente, a linha 8 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) está paralisada, e o rodízio para carros e caminhões está suspenso. A orientação é para que as pessoas não saiam de casa.

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